Como diz o nome, é o quarto trabalho da banda, o nome pode soar pouco criativo, porém se encaixa perfeitamente no contexto pretendido pela banda. 4 transmite a sensação de vazio, de busca por alguma coisa que está faltando. Não se trata de vazio sem conteúdo, e sim uma angústia íntima, plena. As músicas são bem brasileiras, daquelas que fazem rir e chorar, chorar e rir, como diria Tom Jobim. Não é um disco fácil de se escutar, possui muitas lacunas e nuances, exige do ouvinte muita atenção. A cada audição novos arranjos, cores, e lugares vão se desacortinando, porém algo de misterioso sempre fica pairando no ar, a cortina nunca cai completamente. Discos que trazem essa qualidade incitam o ouvinte a escutar as músicas incessantemente, pois são criativos, bonitos, e as vezes até os mais tristes. Tristeza essa que não é pessimista, e sim a tristeza necessária para tornar a música bonita, afinal algumas das músicas mais bonitas nasceram da dor. Em 4 a tristeza é sólida e a felicidade fugaz,. Como diria uma antiga música: tristeza não tem fim, felicidade sim.
Neste disco encontramos uma banda nova, os metais tão importantes em ventura e no bloco do eu sozinho foram extintos, a idéia de um bloco familiar não cabia mais no momento vivido pela banda. Não se percebe um disco de banda, e sim um disco composto por músicas de Marcelo Camelo e músicas de Rodrigo Amarante. Esta fragmentação contribuiu para o desenvolvimento dos dois como músicos e compositores.
4 abre com a lenta e anguistiante Dois Barcos, música de Marcelo Camelo, antecipando o que está por vir ao longo do disco : “Nos mares por onde andei/ Devagar/Dedicou-se mais/ O acaso a se esconder”. Primeiro Andar, a música seguinte é de autoria de Rodrigo Amarante, é tão triste quanto a primeira, a busca pelo sentimento que preencha o vazio continua . “Se alguém numa curva me convidar/Eu vou lá/Que andar é reconhecer. Os pássaros é a música que pode causar maior indigestão a um ouvinte desatento, os estranhos arranjos somados a letra subjetiva formam uma atmosfera monótona e assustadora. A música seguinte é muito mais acessível, a bonita Morena, de Marcelo Camelo.Em sequecia O Vento, música que foi a escolha da banda para o single do disco, o que demonstra o crescimento de Amarante na banda, já que até então todos os singles foram de Camelo. A música é uma busca pelo entendimento dos mistérios da vida. As faixas 8 e 9 são Horizonte Distante e Condicional , as músicas mais rockeiras do disco. 4 fecha com três músicas de consolação, a acústica Sapato novo, Pois é, e É de lágrima.
4 é um repleto de referências ao mar e a buca por Deus, talvez isso explique a capa, uma pintura de Amarante em tons azuis, que parece uma cruz.
01. Dois Barcos
02. Primeiro Andar
03. Fez-se Mar
04. Paquetá
05. Os Pássaros
06. Morena
07. O Vento
08. Horizonte Distante
09. Condicional
10. Sapato Novo
11. Pois É
12. É de Lágrima
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2 comentários:
Nada mais justo do que reconhece-los. Os rapazes que deram um aula de dissonância para os Ferdinandos são os que além de se desfocarem do cenário comercial tem o talento de permanecerem fora dele.
Que dissertação mais lindaa e doce, amor! Nível profissional rsrs! só podia ser meuuuu namoradooo!
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