sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

(2005) 4

Como diz o nome, é o quarto trabalho da banda, o nome pode soar pouco criativo, porém se encaixa perfeitamente no contexto pretendido pela banda. 4 transmite a sensação de vazio, de busca por alguma coisa que está faltando. Não se trata de vazio sem conteúdo, e sim uma angústia íntima, plena. As músicas são bem brasileiras, daquelas que fazem rir e chorar, chorar e rir, como diria Tom Jobim. Não é um disco fácil de se escutar, possui muitas lacunas e nuances, exige do ouvinte muita atenção. A cada audição novos arranjos, cores, e lugares vão se desacortinando, porém algo de misterioso sempre fica pairando no ar, a cortina nunca cai completamente. Discos que trazem essa qualidade incitam o ouvinte a escutar as músicas incessantemente, pois são criativos, bonitos, e as vezes até os mais tristes. Tristeza essa que não é pessimista, e sim a tristeza necessária para tornar a música bonita, afinal algumas das músicas mais bonitas nasceram da dor. Em 4 a tristeza é sólida e a felicidade fugaz,. Como diria uma antiga música: tristeza não tem fim, felicidade sim.

Neste disco encontramos uma banda nova, os metais tão importantes em ventura e no bloco do eu sozinho foram extintos, a idéia de um bloco familiar não cabia mais no momento vivido pela banda. Não se percebe um disco de banda, e sim um disco composto por músicas de Marcelo Camelo e músicas de Rodrigo Amarante. Esta fragmentação contribuiu para o desenvolvimento dos dois como músicos e compositores.

4 abre com a lenta e anguistiante Dois Barcos, música de Marcelo Camelo, antecipando o que está por vir ao longo do disco : “Nos mares por onde andei/ Devagar/Dedicou-se mais/ O acaso a se esconder”. Primeiro Andar, a música seguinte é de autoria de Rodrigo Amarante, é tão triste quanto a primeira, a busca pelo sentimento que preencha o vazio continua . “Se alguém numa curva me convidar/Eu vou lá/Que andar é reconhecer. Os pássaros é a música que pode causar maior indigestão a um ouvinte desatento, os estranhos arranjos somados a letra subjetiva formam uma atmosfera monótona e assustadora. A música seguinte é muito mais acessível, a bonita Morena, de Marcelo Camelo.Em sequecia O Vento, música que foi a escolha da banda para o single do disco, o que demonstra o crescimento de Amarante na banda, já que até então todos os singles foram de Camelo. A música é uma busca pelo entendimento dos mistérios da vida. As faixas 8 e 9 são Horizonte Distante e Condicional , as músicas mais rockeiras do disco. 4 fecha com três músicas de consolação, a acústica Sapato novo, Pois é, e É de lágrima.

4 é um repleto de referências ao mar e a buca por Deus, talvez isso explique a capa, uma pintura de Amarante em tons azuis, que parece uma cruz.





Músicas (em negrito as músicas de maior destaque)

01. Dois Barcos
02. Primeiro Andar
03. Fez-se Mar
04. Paquetá
05. Os Pássaros
06. Morena
07. O Vento
08. Horizonte Distante
09. Condicional
10. Sapato Novo
11. Pois É
12. É de Lágrima

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Alinhar à esquerda

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(2003) Youth And Young Manhood


Vem acontecendo uma coisa muito engraçada na década de 2000, muitos dizem que o rock morreu, que não se faz mais música como antigamente, que as bandas de outrora estão precisando retornar a ativa, para assim salvar o mundo da música descartável que é produzida pela grande industria, porém o que acontece é o contrário. Coldplay, Strokes, Arctic Monkeys, The Killers e Franz Ferdinand são exemplos de bandas que asseguram criatividade e longa vida ao rock n’ roll no novo milênio. As bandas da geração 00 vem bebendo da fonte dos anos 60, 70 e 80, dando uma nova roupagem ao som. O público de ouvido mais apurado, que procura no lugar certo não está reclamando

2003 foi o ano do lançamento de Elephant (White Stripes), Fever to Tell (Yeah Yeah Yeahs), Hail to Thief (Radiohead) e Youth and Young Manhood, é claro! Ótimos discos que fazem a cabeça da nova e exigente geração que escuta rock.

Os irmãos Fallowill cresceram na região rural de Tennessee, cruzando as estradas do Sul dos EUA numa Pick-up, pregando a palavra de Deus. Filhos de um missionário religioso, foram criados com educação rígida a base de muitas leituras bíblicas. Eram proibidos de ver televisão, escutar a música “do mundo” e tocavam na banda da igreja junto com o primo Matthew, resultado: uma banda politicamente incorreta!

O vocal desleixado de Caleb, juntamente com a rudez do restante da banda faz com que Younth and Young Manhood , o disco de estréia desse quarteto barbudo seja ao mesmo tempo novo e retrô, remetendo as origens do rock sulista. As músicas falam sobre traições, brigas, assassinatos, pistolas, bebidas, viagens de carro, garotas malvadas e paixões perigosas, traduzindo perfeitamente o espírito rock n’ roll, no melhor estilo “burn to be wild”. Uma autentica banda de garagem da roça, despojada e dona de um som viciante.

Ironicamente o disco não fez sucesso nos EUA, porém em países mais antenados na música alternativa como Inglaterra e Austrália a banda estourou, sendo aclamada pelo publico, crítica e por ícones da música, entre eles Bob Dylan. Kings of Leon é uma das bandas mais interessantes da atualidade.

Músicas (em negrito as músicas de maior destaque)


01. Red Morning Light

02. Happy Alone

03. Wasted Time

04. Joe´s Head

05. Trani

06. California Waiting

07. Spiral Staircase

08. Molly´s Chambers

09. Genius

10. Dusty

11. Holy Roller Novocaine

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